quarta-feira, 4 de maio de 2011

A respeito da morte do Osama...

Pra que possa rolar algum entendimento aqui, vamos primeiro a uma coisa muito importante: sou um professor – de inglês, diga-se de passagem. Eis o único "título", por assim dizer, que me arrisco a dizer que tenho. Não sou nenhum especialista em política internacional, medidas antiterrorismo ou qualquer coisa do gênero. Logo, essa não é a opinião de um profissional e está muito longe de intencionar sê-lo. Trata-se apenas de eu finalmente cansando de ter de me explicar repetidamente cada vez que a morte do Osama entra em pauta perto de mim.

Sou contra o pensamento de que matar um criminoso, ou qualquer outra pessoa, ajude a tornar o mundo um lugar melhor. Pela simples razão de que tirar uma vida não tem o poder de anular a morte de quem quer que seja. Não importa se ele matou um quintupilhão de pessoas, estuprou as próprias filhas ou levou uma raça rara de pandas à extinção. Nenhum crime, por mais hediondo e imperdoável que seja, torna alguém menos indigno do direito à vida.

Não, nem sempre pensei exatamente desse jeito e aceito numa boa quando alguém me lembra disso. Mas não vejo por que o fato de eu não ter sempre pensado assim haveria de interferir na lógica do que eu disse acima. Aliás, eu conheço o raciocínio sim. É o mesmo de quem alega "Isso é o que você diz agora! Espera até ele estuprar sua irmã, a sua namorada ou a sua filha!". Já sei, já sei. Eu só penso assim porque é algo que não me envolve, certo?

Pois bem, vamos a mais algumas informações importantes: sim, eu já perdi um ente querido por causa de um criminoso. Meu bisavô foi assassinado com dois tiros, porque não aceitou ceder o carro dele a um assaltante que pretendia usá-lo para fugir da polícia. Não, eu não to inventando isso inspirado no tio Ben, do Homem-Aranha (embora seja um dos meus heróis favoritos). Quem dera fosse o caso. Afinal, meu pai e meus tios teriam sofrido muito menos.

E sim, eu não conheço nenhuma mulher que tenha sido estuprada. Em compensação, tenho mais de um amigo que foi abusado sexualmente quando criança. Sempre por pessoas próximas a eles: primo, avô, irmão e por aí vai. E, claro, eu ficava ainda mais revoltado com esse tipo de coisa a cada vez que uma nova história dessas me era contada. Fico até hoje.

Mas mesmo nesses casos, em que pessoas queridas foram as vítimas em questão, não creio que matar os culpados fosse ser efetivamente um exemplo de justiça sendo feita. Ah, é um absurdo que eles fiquem impunes? Claro. Não desejo que eles caminhem livres por aí. Mas prefiro vê-los atrás das grades por, ao menos, uns bons trinta anos (já que no Brasil, até onde me consta, não é permitida pena mais longa do que essa). Pois é o que me parece justo.

Nenhum criminoso, por mais psicopata que seja, tem menos direito à vida e à justiça do que um cidadão que segue as leis e os bons costumes. Como uma vez disse meu amigo Pedro, o @utops, ser humanitário apenas com quem é bonzinho não é ser humanitário. Não importa o quanto isso te doa ou te revolte, meu amigo. É a verdade. Encare isso. Constrói o caráter.

O vereador Walmir Jacinto, de Anápolis (PR), não estava sendo ridículo ao pedir um minuto de silêncio pela morte de Osama, "por ele ser um filho de deus". Se eu, como ele, teria a coragem de fazer isso, ainda mais na ocasião em que se pretendia homenagear a morte de um membro respeitável, por assim dizer, da comunidade em questão? Não, não sou tão "nobre" assim, e, sinceramente, achei insensível da parte dele não ter pensado em como a família do empresário se sentiria a respeito de tal ato, por melhor que fosse a intenção.

Se eu respeito essa intenção e o raciocínio dele? Sim, sem a menor sombra de dúvida. Acusem-no de uma gritante falta de timing se quiserem e de uma cara de pau excepcional por fazer algo que obviamente teria uma repercussão insana, concordarei com vocês. Mas parem pra pensar por um instante: ridicularizá-lo é desrespeitar um homem que só tentou lembrar outros de que nenhuma vida vale mais ou menos do que outra. (Sim, CLARO que ele pode ter feito isso só pra "ficar bem na fita", afinal estamos falando de um político, mas tenhamos um pouco de fé na humanidade, por favor. E, antes de me acusarem de estar ''falando mal dos políticos", meu pai é um deles. Não se dê ao trabalho.)

Aliás, falando em ridicularizar, entendam muito bem o seguinte: não estou acusando os Estados Unidos de assassinato, execução sumária ou coisa semelhante. A alegação é de que Osama recusou se render e que, inclusive, chegou a usar uma mulher como escudo. A morte dele, que não era o objetivo da missão, seria, portanto, uma conseqüência das circunstâncias. Ah, eles podem estar mentindo? Podem. Qualquer um sempre pode estar mentindo. Se não aprendeu isso até hoje, amigo, talvez seja uma boa hora pra começar.

Se eu acho que eles estão mentindo? Não. Por mais que a possibilidade da mentira sempre exista, prefiro pecar por crer do que por acusar injustamente. E, a propósito, leiam com atenção: não estou tentando condenar um único americano que seja, ou qualquer outra pessoa, por estar feliz e aliviado pelo que aconteceu.

Respeito a indescritível dor dos americanos em relação ao onze de setembro e respeito integralmente que muitos deles considerem a morte do Osama como a justiça sendo, finalmente, feita. Em tempos nos quais a impunidade se faz algo tão presente, nada mais natural que comemorar a sensação de alguém, no meio dessa bagunça toda, ter feito a justiça prevalecer. Eu entendo isso. E você que está criticando o Obama, mas achou ótimo o cara do Realengo ter morrido, também deveria entender, não acha?

Ah, se eu gosto de tanta gente celebrando a morte de um homem porque ele "merecia morrer"? Não. Acho, sinceramente, algo muito triste. Acontece, no entanto, que essa é apenas a minha opinião. E respeito o direito de cada um a ter a sua. O fato de alguém discordar do que eu penso não faz com que o jeito dela de olhar pras coisas em questão seja necessariamente errado e passível de condenação. Não é difícil entender isso, é?

É, entretanto, exatamente essa consciência que eu mais vejo ausente durante as discussões todas sobre esse tema e vários outros ultimamente. Isso é o que eu acho mais triste no meio disso tudo. E esse texto é o meu modo de me expressar a respeito.

A você que leu isso até o final e não gostou de tê-lo feito, digo o seguinte: é muito fácil me chamar de hipócrita, moralista, idealista ou coisa que o valha. Mais do que apenas fácil, é uma manobra escapista um tanto prática. Atacar o autor das palavras é sempre muito mais cômodo que atacar os argumentos em questão. Quem não sabe disso?

Enfim, caso, tendo concordado ou não, queira dar sua opinião, sinta-se em casa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hermano

Hermano. Desde que começamos a conversar, durante a Copa do Mundo, é assim que eu o chamo. Não apenas por ele ser o único cara que torcia aberta e fervorosamente pela Argentina. E sim porque foi exatamente o que ele se tornou. Um irmão. Um grande irmão.

Não importa que exista um quintupilhão de diferenças entre nós dois. Pelo contrário. Isso só faz com que o que somos juntos torne-se algo ainda mais épico e divertido. Seja comentando os lances da Copa, as cenas esdrúxulas que só a TV aberta brasileira é capaz de proporcionar ou as atrocidades cometidas em nome da "moda", o resultado é sempre sensacional. Não existe assunto sobre o qual não se possa conversar com ele, entende? Ele é muito, mas muito foda. E um cadin vingativo, devo mencionar (mas só parte do charme etc).

E, entenda bem, muito se engana quem pensa que os talentos desse mineiro se limitem a isso. Economista, vascaíno, fã de tênis e de John Mayer, ele não respeita as limitações a que se submetem os reles mortais. Não importa de qual natureza sejam. Ou seja, faz humor com o que lhe dá vontade e fala do que lhe vem à cabeça, sem parar pra pensar se vai agradar ou não. "Politicamente correto" é uma descrição que nunca poderia ser atribuída a ele. Mesmo.

No entanto, ao contrário do que pode parecer a olhos e ouvidos precipitados, o mesmo rapaz que destila palavrões e humor ácido, é um cara inestimavelmente doce. Ok, ele não é dos mais sociáveis, sonha em ficar rico o bastante pra não precisar lidar com pessoas e odeia gente cujo modus operandi passe a impressão de acefalia. Sim, verdade. Nunca disse que ele era fácil.

Mas é também alguém que não pensa duas vezes antes de ajudar aqueles que considera seus amigos de verdade. Alguém que se dedica inteiramente a todas as relações que constrói e que se preocupa em mantê-las como devem ser: reservadas, mas intensas e, principalmente, sinceras. Um cara que é muito mais romântico do que eu conseguiria descrever aqui, sabe? (Além de meio ninfomaníaco e muito gato ~ E JÁ TEM NAMORADA, MULHERADA, CAI FORA ~ até porque eu vi PRIMEIRO etc s2 s2 s2 Claro, isso heterossexualmente falando).

Em suma, é aquele tipo de cara que volta e meia te faz pensar: PORRA, POR QUE EU NÃO TE CONHECI ANTES? Quando, lá no fundo, a verdade é que sou grato demais pelo tempo que a vida levou pra cruzar meu caminho com o dele. Foi o bastante pra que ele e eu nos tornássemos quem somos hoje e eu não trocaria essa amizade, do jeito que ela é, por nada nesse mundo. Afinal, um amigo assim é um dos melhores presentes que alguém pode ter

Não, nós não somos de trocar confidências nem nada assim. E nem temos, infelizmente, conseguido conversar com a devida frequência nos últimos tempos. Mas isso não importa. A despeito do que quer que seja, ele continua sendo uma prova incontestável de que vale a pena acreditar no potencial das pessoas. Existe, no fim das contas, gente que vale a pena conhecer. Quem diria que eu ainda poderia me surpreender assim com alguém? Grata surpresa.

Foi através desse mineiro que eu me tornei amigo de algumas das pessoas mais espetaculares da minha vida. Foi através dele que conheci a mulher da minha vida. Por isso e por tudo o mais que a tua presença trouxe e continua trazendo pra minha vida, eu sou infinitamente grato, hermano. Brigadão, mesmo. Já passou da meia-noite e eu é que deveria te dar um presente, eu sei. Desculpa. Mas o presenteado sou eu por te ter como amigo, como irmão.

Feliz aniversário, Hermano. Abraço grande do amigo Fodelos. Tudo de melhor pra ti, sempre.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Morning, gorgeous


Sei que você não gosta quando eu durmo longe na cama, os dias em que eu faço a barba ou os momentos em que quase morro de rir das palhaçadas que apronto contigo. E, principalmente, sei o quanto fica contrariada quando ganho nossos duelos verbais. Então me desculpe por dizer isso, amor, mas pode ir se acostumando. Vais ter de aturar tudo isso durante muito mas muito tempo mesmo. Porque tenho a firme intenção de nunca mais permitir que você se veja livre de mim.

Não quero outra pessoa pra estar ao meu lado quando eu acordar e for dormir. Nem pra tomar café da manhã e depois banhos quentes e demorados comigo. Não preciso de outra mão além da tua pra se aconchegar na minha e nem de outro abraço e outros beijos que não os teus. Entenda bem isso. Ou pode até esquecer, se o DDA assim quiser. Pretendo te lembrar disso todos os dias.

Não há quem consiga ficar tão irresistivelmente linda e mordível quando está brava. Dá vontade de arrancar tua roupa inteira com os dentes cada vez que você me ameaça com a machadinha do Dexter. Eu, que nunca gostei que sentissem ciúmes de mim, acho graça de quando tu deixa à mostra o teu lado serial killer. Dá vontade de passar o dia inteiro te provocando só pelo brinks s2

Delírios persecutórios à parte, não sei se conseguirias entender o quanto és importante pra mim. E digo isso porque eu próprio não sei ao certo como colocar em palavras o quanto significa pra mim ter alguém tão especial sempre ao meu lado. É algo que não pode ser mensurado nem mesmo através dos mais doces versos e jogos de palavras. E que tento ao máximo, portanto, deixar claro através do maior número possível de atitudes. A intenção é o que conta, certo?

Sei que o universo foi meio sacana contigo. Te mandou um capricorniano engomadinho e fã de Glee - porra, isso é que é trollagem marota, né? E, ainda por cima, curte desenho animado japonês, ama ver filme da Disney no cinema e é viciado em música country. Bah, guria, como é que tu aguenta um cara desses? Sinceramente, não sei. E, na verdade, nem quero saber.

Só o que eu quero é que meu paraíso contigo continue acontecendo dia após dia, segundo após segundo. Pois a nossa jornada épica ainda tem muitos caminhos e lugares que o meu coração não faz questão de ver se não for na companhia do teu. Como já disse uma vez, eu não tenho vocação nenhuma pra ser o herói. Tenho sex appeal demais pra ser o mocinho, não seria direito, entende? Ok, brincadeira (mentira). A questão é que eu quero mesmo é continuar sendo o cara errado.

Quero permanecer sendo o cara que tropeça em tudo, ri das próprias piadas sem graça e tem duelos mortais contra abelhas assassinas. Esse mesmo, que te trolla 24/7 pra logo em seguida te encher de chamego como se nada tivesse acontecido. Ser cara de pau faz parte do meu charme - o que se há de fazer? Quero continuar esse rapaz sui generis que, mesmo sendo um canalha tarado e nada modesto e tendo a idade mental de um guri de dez anos (ok três), só se sente um homem de verdade ao amar a mulher dele e sentir-se amado por ela.

Nasci pra ser o teu anti-herói. Aquele que vai sempre te aporrinhar com as coisas mais insanas e depois se aconchegar no teu peito, descaradamente insolente, esperando que você faça cafuné nele. E que vai, sem dúvidas, dizer a coisa errada um zilhão de vezes e te fazer querer arrancar a cabeça dele à machadadas, mas que também vai dizer que te ama várias e várias vezes, todos os dias - sendo que cada uma delas vai ser ainda mais profundamente sincera do que a outra.

Quero continuar sendo exatamente assim porque foi por esse cara que você se apaixonou e pretendo garantir que tu continue se apaixonando por ele cada dia mais. Assim como eu a cada segundo me apaixono mais por você. Tu faz parte do meu mundo, minha pequena sereia. E esse peão desaprendeu a cavalgar por aí sozinho. Bora fugir pra nossa ilha no meio do Pacífico?

Ass: teu boy.

ps: Viu como não foi tão ruim assim eu ter te trocado pelo netbook hoje cedo? Tenha mais fé, princesa. A fera aqui promete valer cada centésimo do teu investimento.











segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Prosa que deveria ser canção

O que eu preciso que você entenda, antes de mais nada, é que isso aqui era pra ser uma música. Que eu iria tocar ao violão, sob um céu bem estrelado, e então te ver sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Sem saber ao certo como reagir, mas sentindo toda a sinceridade em meus olhos, presente em cada verso e em cada nota.

A letra? Coisas que eu sempre quis te dizer e acabei, por um motivo ou outro, não dizendo. Como, por exemplo, que teu sorriso mais bonito é o que você dá quando digo que te amo logo depois de você acordar nos meus braços. Ou que eu gostaria de passar a eternidade inteira com você fazendo cafuné no meu cabelo. Juro, mesmo.

E também alguns trechos de músicas que sempre quis cantar pra você e nunca tive coragem. Como esse de Then, do Brad Paisley: "O que eu não consigo ver é como eu vou algum dia te amar mais... mas eu já disse isso antes". Tão você, tão nós dois.

Talvez alguns diálogos de filmes e livros que sempre quis encenar contigo e comprovar que são feitas pra nós todas aquelas cenas de amor perfeito. "Como a vida é maravilhosa agora que você está no mundo". Ou ainda, "Quem quer que eu seja, quem quer que você seja, você me fez gostar de ser eu." Simples assim. Doce assim.

Talvez algo mais simples. Como aquele "Eu vejo você" do final de Avatar, que significa conseguir enxergar de verdade o outro como ele é por dentro. Ou o verso que mais amo na música-tema do filme: "O seu amor ilumina o caminho até o paraíso". Ou talvez nada disso.

Talvez apenas um solo de violão mesmo. Acordes perfeitos como os de Santalaolla ou inseguros como os de alguém que estivesse tendo platéia pela primeira vez. Algo que, de um jeito ou de outro, te transportasse para o lugar mais bonito dentro do meu coração, aquele que mantenho apenas seu e de mais ninguém – e você então pudesse perceber que é aqui, comigo, em mim, o seu lugar.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pensamentos insones que tu jamais vai ler


"Com um olho no relógio e outro no telefone, são 5:19 e estou me sentindo sozinho". Lembra? É, eu sei que sim. Matt Wertz. Ainda é a música dele de que mais gosto.

Hoje eu acordei às cinco da manhã e fiquei rolando na cama, sem sono. Até que começa a tocar essa música e adivinha que horas eram quando fui olhar no celular? Sim, eu continuo o tipo de cara que dá demasiada importância a essas coincidências tão clichês. E ri só de imaginar a cara de bobo que eu devia estar fazendo enquanto acompanhava a letra. E quase chorei ao sentir falta de poder compartilhar isso contigo.

Como escreveu uma amiga minha outro dia, é muita coisa passando, muita coisa ficando que deveria passar. Ela tem isso, que eu nunca consegui ter, de saber dizer muito em poucas palavras. Gasto sempre linhas demais tentando dizer algo que outra pessoa conseguiria resumir em apenas três. Mas tudo bem. Dizem que isso é normal.

"Cada um tem seu próprio jeito de se expressar" e outros lugares-comuns do gênero, eles dizem. E respondo que sim, claro, eles têm razão. E têm mesmo. E aí finjo que acredito quando eles dizem que escrevo bem e que queriam conseguir ser tão bons quanto eu. Finjo tão bem que convenço até a mim mesmo. Ao menos, por algum tempo.

Pois é, continuo tão auto-crítico e teimoso quanto sempre fui. Coisa de capricorniano, diz minha vó: "Bode velho é tudo assim mesmo, teu vô taí pra provar isso". Aliás, falando nela, dona Bárbara está doente. Os médicos não sabem dizer o que ela tem.

Passou o ano quase inteiro indo e voltando pro hospital e se recuperou de umas cirurgias recentemente, mas anda com um cansaço que nunca vai embora. Há quem tema que o coração dela esteja dando algum problema de novo. E vinha perdendo tanto cabelo que preferiu raspar tudo logo de uma vez. Mas continua sorrindo até demais. Como sempre.

Enquanto isso, minha outra vó está enfrentando o câncer pela segunda vez. O problema é que ela já não é tão forte quanto era antes. Ainda assim, está fazendo quimioterapia e tudo o mais, porque se recusa a desistir. E a família a apóia não apenas por esse ser um direito dela, mas por ser incapaz de não manter aquela esperança de que possa dar certo.

E meus pais, coitados, já não sabem de onde tirar forças pra cuidar delas e do meu vô, e da confeitaria e de todas as coisas aqui em casa. Mas seguem firmes e fortes como se nada os abalasse, embora eu perceba que estão quase sempre exaustos de tanto se esforçarem pra garantir que tudo seja feito exatamente como deve e precisa ser feito.

Não que tenham deixado de ser aquele casal insanamente apaixonado que mais parece não ter saído da adolescência. Continuam sempre se declarando um pro outro e fazendo surpresas românticas como fondue e vinho à luz de velas. E, claro, continuam transando todos os dias. Como eu sei disso? Simples. Eles não são assim muito silenciosos, sabe?

Vejo meus amigos falando dos pais deles, sobre como a rotina inevitavelmente desgasta a relação mais cedo ou mais tarde. E penso que meus pais, apesar de todos os problemas deles, certamente não padecem desse mal em específico. São, sem qualquer sombra de dúvidas, o casal mais feliz que conheço. Quantos filhos podem dizer isso dos pais?

E sempre fico me perguntando se, afinal, então o amor é isso. Um querer compartilhar a própria vida com outra pessoa e saber apreciar a dádiva que é exercer essa vontade, apesar de todos os reveses que a vida possa trazer. Tão lindo na teoria, tão difícil na prática. Mas se eles conseguem, esse não seria um sinal de que vale a pena tentar?

Claro que tem sempre uma discussão prestes a explodir entre eles, e outra e mais outra. Na maioria das vezes, por causa dos meus irmãos e eu. Porque os dois se preocupam demais conosco e não poupam esforços pra fazer o que for melhor pra nós. O problema é que nem sempre concordam quanto ao quê exatamente seria o melhor pra nós quatro.

Mas mesmo as discussões mais tensas acabam em reconciliação e nos dois rindo de tudo como se nada tivesse acontecido. E fico aqui me sentindo um completo imbecil por ter novamente ficado todo preocupado. Mas de todos os motivos que tenho pra me sentir um grandessíssimo imbecil, esse, certamente, é o melhor deles.

Perdão. Não sei por qual razão acabei me estendendo tanto sobre os meus pais. Acho que apenas andava precisando dizer isso tudo pra alguém. Sabes como eu sou. Às vezes, é difícil conseguir conversar sobre o que realmente estou sentindo e pensando. Okay, admito. "Às vezes" foi um eufemismo. "Sempre" fica bem mais próximo da realidade.

Boa parte dos meus amigos está tão acostumada a ouvir meus dramas que não acreditaria no parágrafo acima. E é melhor que seja assim. Eles fazem sempre tudo o que podem pra me entender e me ajudar. E nem imaginam o quanto eu sou grato por isso. Mas a verdade é que eu não consigo me abrir totalmente com nenhum deles.

Não importa o quanto eu tente, o quanto eu queira dizer tudo que fica engasgado aqui dentro. As palavras, sejam ditas ou escritas, saem como se tivessem sido previamente editadas, como se a parte responsável pela escolha delas julgasse que certas coisas não são pra outros ouvidos e outros olhos além dos meus. E é muito solitário viver assim.

Mas assim têm sido os meus dias desde que tua ausência passou a me fazer companhia. Não tem quem consiga me fazer sorrir daquele jeito que você fazia, como se eu estivesse completamente em paz comigo mesmo. Não tem quem me ouça reclamar das coisas mais absurdas e pareça genuinamente se importar com isso. E isso me faz muita falta.

Ando me sentindo mais sozinho do que nunca. "Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas". Lembra? Caio, sempre ele. A propósito, importante dizer que venho vivendo um amor como aquele de "Mel e Girassóis". Só que as linhas não andam caminhando do jeito que eu gostaria, do que jeito que a história merece, entende?

Ela é um amor. Linda, divertida, inteligente. Escreve maravilhosamente e não tem a menor idéia de quão espetacular é – o que não deixa de ser um encanto à parte, embora às vezes me irrite ela não acreditar nos meus elogios. Também ama Caio e é fã incondicional do Nando Reis. Não dá pra ser muito mais perfeita do que isso, certo?

Qual a minha desculpa pra estragar tudo dessa vez? Ela, assim tão doce e incrível, merece alguém melhor do que eu. Não adianta vir de novo me falar que não sei ver as minhas qualidades todas. Acredite, ninguém além dela (exceto você, talvez) conseguiria encontrar tantas qualidades diferentes em mim. Mas não é o bastante, irmão. Não é.

Ela precisa de alguém que saiba proporcionar a aquele coração tão precioso toda a segurança que eu não sou capaz de dar. Precisa de alguém que consiga fazê-la tão infinitamente feliz quanto apenas alguém tão especial quanto ela merece ser. E eu não sou esse cara. Nem ela e nem ninguém jamais vai entender o quanto eu queria poder ser esse cara. Mas tudo bem. Isso não importa. Só o que me importa é que ela fique bem.

Só o que eu quero é que ela encontre a felicidade tão merecida que espera há tanto tempo. E se não sou o homem que vai trazê-la, certamente não vou ser um empecilho no caminho que pode levá-la a ele. Sim, eu sei que tás pensando no jeito mais criativo de me dizer o quanto estou sendo imbecil ao agir e pensar assim. Tu e ela se dariam muito bem, sabia? Ela também diz que eu tenho medo de ser amado. E vai ver é verdade mesmo.

Mas isso é assunto pra outra hora, outro dia. Pra outro momento em que eu estiver precisando conversar contigo. Porque aí, onde quer que estejas, sei que posso contar com tua eterna paciência pra ouvir todos os meus dramas. Muito obrigado por isso. E, se puder, reze por essa guria, minha morena. Ela anda precisando tanto. E não se esqueça de que te amo, irmão. E vou continuar amando por cada segundo da existência e da eternidade. Porque sempre teremos um ao outro quando não houver mais nada. Mesmo que seja apenas em pensamento.



terça-feira, 10 de agosto de 2010

Xeque-mate

Ao meu coração nada peça. Nada demande. Não cabe a mim sanar tua sede de encontrar o homem que tuas inseguranças e expectativas construíram.

A tal altura do caminho, deverias ter sentido, enxergado, ouvido que me fiz teu, por inteiro, ao declarar-te o meu amor.

Insistes em desconstruir as fundações de um lar que te foi oferecido já pronto pra ser habitado. Testas meu sentir esperando o quê? Cada pergunta que me fazes, temerosa, é uma resposta que eu preferia continuar sem conhecer.

O céu é um abismo aos olhos de quem confunde concretude com plenitude. O sentir que julgas abstrato é tão absoluto quanto o próprio mar. Tens acesso incondicional ao melhor de mim. Por que persistes em buscar uma chave e um cadeado tangíveis para um paraíso que não tem muros nem portões?

Isto acaba agora. Não hei de dedicar mais do meu tempo a palavras vãs. Eis me aqui, em versos francos com piano e guitarra ao fundo. Permaneces na cegueira e na surdez dos versos brancos porque queres. Não hei de compor mais soneto ou acorde algum a quem espera ler um sentir em forma de dissertação.

Tuas torres, a insegurança e o orgulho, fizeram cair a esperança, minha rainha. E mesmo soberano, o amor não aceita viver sozinho. Xeque-mate. Parabéns. Teu coração, que sempre tivestes tanto medo de perder, ganhou o jogo. Segue invicto pra próxima partida. Enquanto o meu se pergunta: quando foi que o nosso quebra-cabeças virou xadrez?

Texto originalmente postado como comentário ao texto PROVaS do meu amigo Rodolfo Lima, do qual sou fã e a quem agradeço - pela inspiração que me trouxe as palavras acima e, principalmente, pelos grandes prazer e honra de poder lê-lo.

domingo, 1 de agosto de 2010

À leonina mais intensa que conheço, o meu presente, com o carinho maior do mundo.


Come, gentle night; come, loving, black-browed night;
Give me my Romeo; and, when I shall die,
Take him and cut him out in little stars,
And he will make the face of heaven so fine
That all the world will be in love with night...

[Romeo and Juliet Act III scene ii]

Um dos meus trechos favoritos de Shakespeare. Dramático, romântico. Sublime, doce, intenso. Um jogo de palavras que, por si só, já seria mais do que o suficiente pra eu ser eternamente grato pela existência do cara. Conhece essa sensação, certo? De "meus deuses, como eu queria ter escrito isso!". Pois é exatamente o que eu sinto quando leio o que escreves, Flah.

Poucas coisas me deixam mais feliz do que me encontrar nas tuas palavras, ao mesmo tempo em que me perco nelas. É uma das coisas que eu mais amo na literatura. Isso de sentir empatia com alguém num nível mais profundo do que se é possível expressar de modo inteligível. E é algo que te ler me proporciona desde a primeira vez em que li um tweet teu. Muito obrigado.

Pode parecer pouco aos olhos de outra pessoa, mas tem um significado e um valor inestimáveis pra mim. É um sentimento quase tangível de estar na companhia de alguém capaz de entender o que se passa aqui dentro. O sentir-se verdadeiramente compreendido é um amanhecer redentor em meio às sombras desse mundo em que é tão fácil se sentir só.

Pra outro alguém entender o que estou dizendo, teria de já ter passado por tudo o que nós passamos. Já ter partilhado sorrisos e lágrimas, ilusões e sonhos. Trocado confissões e lembranças sobre a intensidade e inconstância leoninas e a intempestividade sentimental capricorniana. Já ter falado sobre amor, paixão e desencanto sob os mais diversos ângulos. Teria de saber o que é ter alguém com quem conversar sobre as entrelinhas do caminho.

Foi você quem me fez retornar ao mundo das palavras quando as portas dele me pareciam hermeticamente lacradas e essa foi só uma dentre todas as conseqüências do presente que é poder dizer que fazes parte de dos meus dias, da minha vida, de mim. Por mais que tentasse, não conseguiria agradecer suficientemente por tudo. Mas isso é só um motivo a mais pra eu me assegurar de que dei o melhor de mim nas tentativas de fazê-lo, entende?

Quem mais saberia ler o mundo de um jeito tão intenso quanto o teu? Quem conseguiria expressar a falta que faz o vermelho-sangue, vermelho-amor, vermelho-vivo, na paleta dos dias? Quem entenderia que por mais delirante e confuso que seja o sentir poético, antes ele do que a lucidez plana e desprovida de subjetividade? Ninguém jamais chegaria sequer remotamente perto de ser como você. Nem sabes quão insubstituível és, minha amiga.

Quão perfeito seria conseguir que essas palavras te dessem todos os abraços que eu queria tanto poder te dar nesse e em todos os outros dias. Quem dera eu tivesse um meio de fazer cada parágrafo refletir a sinceridade dos sorrisos que você gera em mim. Queria poder proporcionar ao teu caminho um sol tão resplandecente quanto o que você faz brilhar no meu.

Na falta de outra opção melhor, só o que faço é te dedicar essa poesia em prosa e dizer que faltaria vermelho no meu horizonte se você não fosse um astro intrínseco ao céu da minha vida. Uma vez mais, muito obrigado por tudo, Flah. Meus sinceros votos de que sejas tão infinitamente feliz quanto mereces. Eu te amo como apenas um amigo seria capaz de amar a outro – com a mais absoluta sinceridade e o carinho maior do mundo. Feliz aniversário. Beijo grande, çao.

 
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